domingo, 1 de setembro de 2013

Bem-vindo “Setembro”

De acordo com a biblioteca livre Wikipedia, Setembro é o nono mês do ano no calendário gregoriano, tendo a duração de 30 dias. A denominação Setembro, provém da palavra latina septem (sete), dado que era o sétimo mês do calendário romano, que começava em Março.
Internacionalmente o mês é marcado pela passagem das seguintes efemérides: (03) dia da Herança Europeia do Conselho da Europa, (08) dia Internacional da Alfabetização e também dia da Solidariedade das Cidades Património mundial, (16) dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono, (22) de dia Europeu sem Carros, (24) dia Internacional da Imprensa e (27) dia Mundial do Turismo.
Cá entre nós, Setembro é um mês muito especial, marcado essencialmente por duas datas comemorativas, nomeadamente: 07, dia dos Acordos de Lusaka ou dia da vitória, e 25, dia das Forças Armadas de Moçambique.
Os Acordos de Lusaka tiveram lugar na cidade capital da Zâmbia (Lusaka) no dia 7 de Setembro de 1974, colocando a mesma mesa o Estado colonial português e a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), então movimento nacionalista.
Nestes acordos, o Estado português reconheceu formalmente o direito do povo moçambicano à independência, consequentemente a transferência da soberania que detinha sobre o território de Moçambique. Na mesma ocasião, foi acordado igualmente que a independência de Moçambique seria proclamada no dia 25 de Junho do ano seguinte (1975), coincidindo propositadamente com o aniversário da FRELIMO.
O 25 de Setembro é dia das Forças Armadas de Moçambique, em homenagem a luta de libertação nacional, ou seja a data marca o início em 1964 do conflito armado desencadeado pela FRELIMO contra o governo colonial português, em busca da independência do povo moçambicano. O mês de Setembro marca também o início da primavera austral no hemisfério sul, social e geralmente o início do período de férias para muitos.
Que este mês seja o maior e melhor de sempre…Bem-vindo Setembro.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Realmente, “curtir” apenas não ajuda!

De acordo com hypescience “Curtir não está ajudando”, é título de uma campanha publicitária emocionante da agência Publicis de Singapura, criada para a Cingapura Crisis Relief, uma organização de ajuda humanitária cristã comandada por voluntários. Segundo o site, a propaganda exibe imagens reais e chocantes de três catástrofes: enchente, guerra e terramoto. Junto delas, vêm os polegares para cima que imitam o botão “Like”, ou “Curtir”, da rede social Facebook.
Achei esta “publicidade”, uma iniciativa não apenas impressionante, mas sobretudo educativa, portanto, uma forte chamada de atenção pública sobre o sentido da solidariedade que é caracterizada ultimamente por uma certa superficialidade. Na realidade, “like/gosto” no facebook não muda nada na vida de qualquer carente. Pode até permitir maior divulgação da situação, porém não acaba o sofrimento, limitando-se na partilha sentimental do fenómeno.
É verdade que as redes sociais, constituem uma ferramenta indispensável na actual conjuntura social de conhecimento e informação, mas também é verdade que tendem a tornar a vida do Homem mais individual e sobretudo de aparências.
De forma alguma quero condenar a partilha de conteúdos religiosos electronicamente, não obstante, penso que há um certo exagero e má interpretação dos preceitos divinos. Não poucas vezes, recebemos mensagens/emails cuja parte final diz para reenviarmos a mais de 10 ou 20 destinatários e como recompensa algo de bom irá nos acontecer. Este tipo de mensagens para além de chantagens em nome de Deus, revelam acima de tudo a luta pela satisfação da aparência na vida do Homem, aliás um estudo realizado nos Estados Unidos, defende que pessoas com baixo auto estima, não deviam ter muitos amigos no facebook, sob o risco de tornarem-se frustradas devido a portagens falsas de certos usuários.
Quantos likes e partilhas de fotos e vídeos de pessoas vítimas de doenças, guerra, catástrofes naturais, acidentes, etc., necessitando de apoio cada um de nós já fez? Suponho que sejam incontáveis. Mas quantas vezes cada um de nós visitou voluntariamente, doentes no hospital, crianças órfãos em lares, reassentados de desastres naturais? Quantas vezes cada um de nós ajudou uma idosa a atravessar a estrada?
Não falo de ajuda monetária que é o comum nas ruas das nossas cidades, chegando a fomentar espírito da mão estendida, mas falo de simples gestos de solidariedade, como os acima referenciados.
Realmente, “curtir” apenas não está ajudando! É preciso mais. Quem necessita de apoio, não lhe importa o quão a sua imagem foi difundida e cutida nas redes sociais, carece sim de carinho, da presença humana para lhe transmitir esperança e fé e por que não do pouco “material” que cada um tem.
Para já, quital se cada um de nós apadrinhasse uma criança órfã? Hum? Que este seja o começo de uma plena e profunda solidariedade, bom final de semana a todos.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Promoção criminal em Maputo!

Nos últimos dias, a “criminalidade” virou tema dos assuntos discutidos em quase todos os fóruns do panorama moçambicano. E não é para menos. As cidades de Maputo e Matola são palco de actos criminais violentos, particularmente nos bairros suburbanos, onde grupos compostos por mais de 10 elemntos têm criado terror com assaltos nas vias públicas e as residências, que para além de roubarem bens, agridem fisicamente e abusam sexualmente de suas vítimas. Para lograrem os seus intentos, segundo o site Moçambique para todos, os indivíduos desconhecidos que andam mascarados, usam instrumentos contundentes como baionetas, facas, catanas, chaves de fenda e nalgumas vezes, são portadores de armas de fogo como AKM.
Ao que se tem reportado, a criminalidade nos bairros destas cidades ganha ainda maior espaço pela fraca actuação da Polícia de República de Moçambique (PRM), o que por sua vez tem gerado bastante descontentamento popular, que por meio de recursos próprios e de forma desregulada procura garantir segurança nas suas residências através de patrulhas colectivas, o que tem vitimado muitos inocentes.  
Mas por que será que crimes de natureza brutal como estes acontecem aos olhos das autoridades?
Nada melhor que um criminalista para dar uma explicação mais aproximada a verdade, porém, na qualidade de um activista político, tenho algo a dizer, aliás, também sou parte dos citadinos em pânico devido a este fenómeno.
De acordo com De Oliveira[1], existem diferentes teorias sobre a criminalidade dentre elas, as que explicam através de uma patologia individual, as que consideram a criminalidade como um produto de um sistema social perverso, as que entendem o crime como consequência da desorganização social e também económicas que entendem o crime como um problema económico de maximização de utilidade.
Olhando para aquilo que é a estrutura social em Moçambique e o tipo de crimes que tem ultimamente assolado Maputo e Matola, tudo indica que estamos perante crimes consequentes de uma desorganização social. É verdade que a nível da criminologia o crescimento das cidades, pode por si só ser factor para o surgimento de crimes e no caso particular destas duas cidades, não há dúvidas de que são parte importante do crescimento económico que o país tem registado nos últimos anos. Não obstante, é um crescimento que não tem se reflectido na melhoria das condições de vida do povo como um todo, criando por sua vez forte desigualdade de renda, com minorias bastante ricas e maioria esmagadora na miséria, factores potencialmente criminais.
O crescimento económico destas cidades, associado às funções política e económica que ocupam, fazem delas vulneráveis a fenómenos como desemprego, prostituição, mendicidade, desigualdade social, violência, corrupção, criminalidade entre outros. E esta é parte da realidade que aqui se vive.
O crescimento económico é um pilar crucial para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Contudo, quando desregulado, o crescimento torna-se maligno, criando os fenómenos acima mencionados. É exactamente aqui onde se enquadra lógica da criminalidade em Moçambique como consequência de uma desorganização social, até porque num passado recente o país foi palco da justiça pelas próprias mãos (linchamento).
No meio deste cenário que aqui se vive, há poucos dias acompanhei por meio de um órgão de informação, alguém que contextualizava o pensamento político de Thomas Hobbes na realidade do crime em Maputo e Matola, afirmando que o Homem tornara-se lobo de outro Homem. É sem dúvida alguma, uma interpretação equivocada de Hobbes, pois este grande pensador, fala isso caracterizando o Homem no seu estado natural, o seja, fora da sociedade política, o que não é a realidade moçambicana, na medida em que a prior os citadinos destes bairros ao se unirem e formarem patrulhas colectivas, revelam partilhem objectivos comuns e neste caso segurança pública, e portanto aceitam e vivem politicamente, para além de estarem organizados em famílias e possuírem estrutura (bairro). Portanto, dizer o Homem virou lobo doutro Homem, para caracterizar o crime nos bairros, não passa de uma interpretação sensacionalista, emocionada e valorativa.
Entretanto, é também verdade que há uma grande lacuna de autoridade. É dever do Estado garantir ordem e segurança para seu povo. É realmente vergonhoso e lastimável que famílias se desfaçam do seu direito natural de dormirem para fazerem patrulhas nocturnas. Naturalmente, que em sistemas de partido hegemónico como o nosso, os dirigentes agem abusadamente do poder, porém deviam ao menos ter vergonha quando a tranquilidade pública é posta em causa por grupos como estes que ate abusam sexualmente das suas vítimas, pois ao se confirmar a falta de policiamento como fraqueza das autoridades, o futuro pode ainda ser perigoso e incerto.

[1]DE OLIVEIRA, Cristiano Aguiar. Criminalidade e o tamanho das cidades brasileiras: um enfoque da economia do crime.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Responsabilidade Social Empresarial enganosa!

O indiscutível crescimento económico que Moçambique regista, associado ao incremento de investimentos estrangeiros sobretudo na área da indústria extractiva, tem levantado debates relativamente a reposição de danos causados pelas actividades económicas das empresas às comunidades, ao que se chama de Responsabilidade Social Empresarial (RSE).
No contexto actual em que o Estado já não é mais visto como único actor na provisão de bens e serviços aos cidadãos, com o surgimento das Parcerias Público - Privadas (PPP), a visão moderna sobre Responsabilidade Social Empresarial concebe as empresas como estando inseridas dentro da sociedade, e por conseguinte, como pilares indispensáveis tanto para crescimento económico (obviamente), assim como para o desenvolvimento sustentável das comunidades. A RSE, deixa de ser apenas um dever moral, passa ser entendida como uma obrigação legal e acima de tudo social, ou seja, as empresas precisam de ter legitimidade e licença das comunidades para operar.
Evidentemente, tal como qualquer processo de PPP, há sempre um risco da substituição do papel estatal pelo privado, sobretudo em países de fraco poder institucional como o nosso. No entanto, este risco, pode ser reduzido por meio do fortalecimento das capacidades do poder público, através da criação de mecanismos de controlo e monitoria da RSE do ponto de vista legal.
Em Moçambique, o dialogo sobre RSE é suscitado pela descoberta de recursos naturais e registo de um crescimento industrial considerável por quase todo o país. Entretanto, é um debate levantado no meio de injustiças cometidas por muitas empresas, entre nacionais e internacionais, com relatos diários de manifestações populares reivindicando certos direitos, como por exemplo de reassantamento, que não significa necessariamente responsabilidade social empresarial, mas um outro tipo de dever de reposição de danos. Infelizmente não se pode chamar isso de ilegal, pois é feito aos olhos das autoridades responsáveis por criar e fazer cumprir a legalidade.
Quando as comunidades se revoltam, o fazem não com intuito de exigir RSE, aliás, nem sabem o que é isso, mas sim de ou querer de volta ou que lhe é retirado (terra por exemplo), ou de exigir o cumprimento das promessas feitas.
Para as comunidades, a construção de uma escola, de um hospital, o abastecimento de água que não estejam sob responsabilidade do Estado, são acções de caridade.
Curiosamente, algumas multinacionais prestam contas das suas actividades económicas nos países de origem, porém em nenhum momento ouvimos falar de sanções impostas a empresa X ou Y, pelo incumprimento da RSE. No entanto, como disse anteriormente a empresa hoje seja ela nacional ou não, é elemento intrínseco da sociedade e pilar de desenvolvimento, pelo que é também da sua responsabilidade criar condições para o bem-estar da comunidade.
Nos debates sobre responsabilidade social das empresas, uma das questões levantada é relativa a criação de postos de trabalho para os locais. E visando responder esta questão, algumas empresas fazem recrutamentos fantasmas, por meio de anúncios de vagas apenas com intenção de vender a imagem da empresa. E como se não bastasse, maior parte destas empresas dispõe de base de dados digital onde diariamente candidatos fazem upload de CV’s, assim como também realizam programas de estágios intensivos por meio dos quais fazem a integração profissional dos candidatos, não obstante, quando estas mesmas empresas “precisam” de um simples técnico correm para o jornal e outros meios para anunciar. (?)
Obviamente que sendo “organizações” com fins lucrativos é racional que façam de tudo para maximizar os benefícios, mas torna-se problemático quando as suas actividades tem incidências negativas na vida das comunidades, o que naturalmente ganha espaço com o fraco poder institucional em Moçambique, aliado ao alto índice de corrupção, que coloca por fim em causa o bem-estar social. E se bem analisada a questão da fraca intervenção estatal em matérias de RSE, pode se afirmar que é intencional, na medida em que as pessoas responsáveis por criar ferramentas legais que regulem e monitorem a responsabilidade social, são as mesmas que encabeçam o sector privado no país, ou como proprietários ou ainda como accionistas, pelo que criar um quadro legal para o efeito, lhes submeteria numa situação conflituosa de interesses.
E portanto, mais uma vez, a responsabilidade social empresarial enganosa que nos é presenteada, aponta o dedo culposo ao governo do dia, pois, pés embora, as empresas tenham a obrigação de respeitar a legislação local, no entanto, quando esta não existe ou não se faz sentir não cabe a eles faze-la cumprir.
    

terça-feira, 28 de maio de 2013

Dia de brincar na Associação Khanimanbo


Por ocasião do dia mundial de brincar que hoje assinalado, o Centro Aberto de Atendimento à Criança da Associação Khanimanbo, no bairro Costa Sol em Maputo, realizou um conjunto de actividades com vista a comemorar a data. Com presença de diversas figuras entre dirigentes e educadores de organizações e associações infantis e não só, a Escola Comunitária (Associação Khanimanbo), viveu momentos de “brincar” fabulosos acompanhados de diferentes actividades com destaque para desportivo, dança, teatro e jogos indígenas.

De acordo com o mestre da cerimónia, a efeméride serviu por um lado, para acompanhar as festividades do dia de brincar anualmente comemorado e por outro, para dar a conhecer a importância de brincar na vida do homem sobretudo nas crianças, fonte para seu o desenvolvimento físico e intelectual.
Com sorrisos largos, na sua mensagem, as crianças mostraram-se felizes pelo momento de poder gozar do seu direito de brincar, tendo aproveitando para apelarem aos pais e encarregados de educação presentes para darem a todas crianças moçambicanas a oportunidade de brincar.
Segundo o Portal de Educação Física, o dia 28 de Maio é mundialmente celebrado como dia de brincar por mais de 25 países, e este ano a data ressalta a importância das brincadeiras para as crianças que passaram por tragédias. 

  




segunda-feira, 20 de maio de 2013

Eu tenho mais um sonho!


“Aprendemos que temos que falar mais alto que outros se pretendemos que nos oiçam, dado que toda gente tem voz, pelo que nalgum momento somos obrigados a gritar para que nos possamos fazer ouvir” (Ryan Guezman - Step Up Revolution).
Para além do revelado no texto “Eu tenho um Sonho”, descobri que tenho mais um sonho. Mesmo tendo nascido numa cidade pequena onde quase toda gente se conhece e em que a informação flui rapidamente sem precisar de nenhum meio electrónico ou midia, cresci sabendo que não bastava ser conhecido, devia lutar por ser reconhecido. Obviamente que para se fazer conhecer no contexto moçambicano não custa tanto quanto deve parecer, 50 gramas de canabis no bolso são suficientes para tirar alguém do anonimato, com auxílio destes órgãos de informação cujo forte da matéria é qualquer coisa que seja bizarra. Basta prestar atenção nos destaques das notícias, particularmente televisivas para provar.
“…idosa é espancada na cidade de Maputo, pelos seus próprios netos, acusada de feitiçaria. Boa noite, está começar o jornal…”.
Nos últimos dias, a expressão “País do Pandza”, título de uma das músicas de sucesso do rapper moçambicano Slim Nigga (espero ter escrito correctamente), tem sido regularmente usada como desculpa de tudo quanto errado por cá se faz.
Entretanto, eu aprendi que corrigir um erro por um outro é mediocridade. E portanto dizer “…é o país do pandza pah…”, para justificar as maldades e obscenidades que acontecem em Moçambique, é um erro e ainda maior, pois alimenta a indiferença. E não querendo cair nele, decidi lutar eternamente pelo idealismo.   
Já fui ironicamente chamado de idealista, mas seja qual for a intenção, considero isso um grande passo aos meus propósitos. Se digo ironia, é porque de facto falar do que é ideal no contexto moçambicano, é como “escrever na água” como por cá se diz, em forma de mostrar uma certa impossibilidade. Provavelmente, pelo facto de se viver uma realidade bastante cruel, a sociedade está de mentalidades bloqueadas pela impossibilidade na positiva, não obstante aceitar a possibilidade de tudo der errado. E é assim mesmo a minha sociedade, cheia de mitos e contraditos. Por aqui, na vida real nada é possível, a não ser por meio de milagres nos locais de culto, razão pela qual temos milhares de compatriotas obcecados pelo “divino poder da cura”, mas desacreditados consigo mesmos. Ou por outra, têm fé na mudança através do Deus invocado em algumas “ceitas religiosas”, mas não aceitam a mudança por meio da sua própria capacidade, ignorando por sua vez o poder absoluto da mente humana.
Ficaria feliz se eu pudesse contar com mais alguém, porem, sou eu + eu contra mundo. E penso que aqui se encontra a lógica e a incredibilidade da vida humana. Nascemos únicos e indivisíveis, sendo que ninguém mais além de nós mesmos, nos é semelhante. E se nascemos para o mundo como seres de vida una, logo somos potenciais detentores do que o mesmo mundo dispõe, isto é, temos direito a tudo quanto é possível como humanos. A existência da sociedade política, em nenhum momento deve colocar em causa este direito natural que cada um tem, aliás, esta instituição surge com vista a manter o equilíbrio das forças e garantir uma redistribuição equitativa tanto dos dividendos da Natureza, como daqueles produzidos pela própria sociedade, caso contrário nos encontraríamos na condição natural do Homem referenciada no pensamento político do inglês Thomas Hobbes.
O que pretendo dizer é que, pelo facto de aceitarmos viver politicamente, cada um de nós tem um direito natural de viver uma vida segura, justa, acima de tudo com acesso a todos bens necessários para a sua satisfação. A natureza que nos fez, não seria ela mesma tão “maluca” de criar desnível entre oferta e demanda. E portanto, os recursos chegam para todos e devem legitimamente ser redistribuídos para que de igual forma possam ser usufruídos. Que direito natural uma única pessoa tem de gozar de mais de um emprego, de mais de uma casa, de mais de uma viatura, etc, enquanto muitos se afundam no nada?
Contudo, não implica que alguém esteja vivendo vida do outro, pelo contrário cada um constrói sua pessoa, bastando apenas dispor de recursos e do direito de os gozar.
Infelizmente a sociedade moçambicana, está sendo conduzida por homens no seu estado natural de bravos e de egoístas, que pelo poder vão se matando e se empurrando de um lado para o outro, em busca da prosperidade. E a realidade prova-nos a sua relação de vida animal e infeliz, vivendo presos e gradeados nas suas próprias casas.
Desejam, mas não podem conviver com a maioria para qual quer que seja a coisa ou facto. Tem quase tudo em abundância, mas ao mesmo tempo não tem nada, pois vivem por competição. Desejam que os seus filhos e tudo quanto lhes pertence seja melhor e superior que o do outro na mesma condição. Vivem no medo e solitários, resultado da injustiça que vão causando aos outros e pelo ódio que sente por qualquer um que tenha mesmas condições. Eh! Esta é a triste realidade que nos caracteriza.
Apesar de alguma forma me sentir injustiçado pelo comando da sociedade a que pertenço, nunca perdi esperança e por isso, tenho mais um sonho!
“Suba o primeiro degrau com fe.
Você não precisa ver toda a escada, só o primeiro degrau”.
(Martin Luther King jr.)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Guebuzismo III


“Um governo incapaz”

Já se vão alguns dias que não me tenho feito presente neste espaço com a regularidade de sempre. A razão para tal é que tenho sido crescentemente conquistado por um certo grau de insatisfação pela vida neste país, causada sobretudo pelo estado pouco saudável do sistema político.
O dia-a-dia por aqui tem se caracterizado por erros governamentais dando evidências claras de um Estado rumo a falência e uma vida cada vez mais dura para a maioria da população. E por causa disso, nos últimos dias a pessoa do presidente da República, Armando Guebuza, tem sido debate no panorama social, político e particularmente académico, associando-se a esta figura um carácter egocêntrico e de pouco de dialogo pelo menos se comparado com o seu antecessor, Joaquim Chissano.
Entretanto, os académicos Elísio Macamo (sociólogo) e José Macuane (Cientista Político), teriam em sequência desse debate, feito recentemente intervenções de alguma forma contrárias a maioria, defendendo nas suas declarações, que o presidente Guebuza, não era exactamente o que a maioria pensava e que este teria feito ou faz muito pelo país, sobretudo pelo partido FRELIMO, tendo segundo eles, reorganizado esta formação política. No entender destes académicos, com Guebuza, a FRELIMO ganhou maior dinâmica o que lhe permitiu conquistar e dominar o campo político moçambicano.
Eu pessoalmente, concordo que a FRELIMO-Guebuza tenha feito um trabalho, especificamente a nível eleitoral digno de realce, contudo, a relação competência política VS qualidade de vida à população, manda me dizer que este governo é fraco, incompetente e descomprometido com o seu povo.
Mesmo a tal reorganização interna do partido FRELIMO, traz-me certas indagações.
Será que a actual FRELIMO é efectivamente mais forte que a FRELIMO da "era" Chissano? E a mesma que questão pode ser válida quanto aos governos por eles constituídos.
A FRELIMO da "era" Chissano, dirige o país num momento de reconstrução (após a guerra civil), caracterizado politicamente por um panorama partidário relativamente mais competitivo e interactivo, apesar de bipolar, com uma oposição (RENAMO), forte e com chances reais de conquistar o poder central, mas mesmo assim, a FRELIMO vence as eleições de 1994 e 1999 num escrutínio com cerca de 90% e 70% de participação eleitoral respectivamente.
A FRELIMO de hoje, conquista também as eleições de forma “esmagadora” como eles dizem, porém num cenário caracterizado por uma autêntica e crescente abstenção eleitoral e de um total enfraquecimento da oposição desde os pequenos partidos, (com e sem expressão), até ao maior, a RENAMO.
E esta mesma FRELIMO, tem por um lado, revelado uma imagem de união e solidez fantasma, com algumas figuras popular e intelectualmente ilegíveis se afastando (ou sendo afastadas) dos processos decisórios do partido e por outro, a mesma formação política, tem nos brindado por formar governos constituídos por indivíduos sem expressão política e de alguma incompetentes, razão pela qual assistimos a um cenário de demissões sucessivas já mais vistas.
O actual governo da FRELIMO tende a perder o brilho de partido académico que revelou em tempos, transformando-se numa formação política violenta tanto a nível discursivo, como também na sua actuação prática, através da instrumentalização da polícia.
Não pretendo necessariamente aqui fazer comparações entre prestação deste ou daquele, até porque o próprio Guebuza fazia parte da FRELIMO na "era" Chissano, mas apenas dar minha posição em relação as declarações pró-guebuza acima referenciadas. E portanto, para mim, a actual FRELIMO tanto como partido, assim como governo, tem deixando graves lacunas na sua forma de actuação, mostrando-se incapaz e longe de garantir uma governação eficiente.
Alguns analistas e comentaristas têm repartido a culpa de parte dos problemas que nos apoquentam, aos subordinados de Guebuza. Possivelmente com alguma razão, mas, olhando a forma como as coisas estão sendo conduzidas, em que a figura do chefe do Estado é e sempre foi tudo, não vejo motivos para não lhe culpar. Em minha opinião a repartição do castigo teria sentido perante um semi-presidencialismo (ver o texto: Porque não o semi-presidencialismo em Moçambique?).
De forma alguma, quero desvalorizar o trabalho feito pelo governo de Guebuza, até porque existem evidências e factos revelando alguma coisa sendo feita, aliás o país tem registado um crescimento económico considerável, porém muito aquém da satisfação da população moçambicana. E prova da grande distância entre o desempenho governamental e a satisfação popular, é o relatório divulgado recentemente pelas Nações Unidas sobre o desenvolvimento humano, que coloca Moçambique como um dos piores países do mundo.
E como era de se esperar, o governo moçambicano, na pessoa do Ministro da Planificação e Desenvolvimento Ayuba Coreneia, veio a público negar alegando que os dados apresentados no relatório eram antigos e nada dizem respeito ao cenário actual. No entanto, cá entre nós o que importa sãos os sinais de riqueza ou de pobreza, e de facto verificamos uma grande melhoria na vida em Moçambique, mas para apenas um grupo de pessoas, enquanto a grande maioria da população se afunda cada vez mais na miséria.
O cenário de transporte de Maputo, prova-nos este facto, onde assistimos pessoas sendo transportadas em camionetas como se de cães ou objectos se tratassem, com todos os riscos que dai advêm, em plena cidade capital de um país. E o ponto central que me faz atirar a razão ao relatório do PNUD, é que em tempos passados as viaturas de caixa aberta serviram como meios de transporte, porém em situações muito melhores que as actuais, pois na altura, os passageiros dispunham de assentos e cobertura para se proteger de sol e da chuva. E facto curioso, é que no meio deste grande sofrimento, a empresa Transportes Públicos de Maputo (TPM), introduziu recentemente uma carreira executiva de 70 meticais por viagem, contra os 7 meticais cobrados normalmente, como forma de cobrir as despesas da empresa. (?).
Um outro aspecto digno de destaque que me faz ainda crer na veracidade do relatório, é o crime "corrupção", com índices completamente fora de controlo. Pés embora, a questão da corrupção, seja um grande legado da FRELIMO e não apenas do governo de Guebuza, é mister fazer realce aqui neste texto, dado que após a ascensão ao poder do actual presidente, vimos um conjunto de perseguições criminais sob acusação de corrupção tendo culminado com detenções de alguns altos dirigentes do Estado, todavia, a verdadeira corrupção está muito aquém de ser eliminada, sendo que nos últimos dias informações dão fortes indícios de nepotismo ao nível de atribuição de cargos tanto em empresas públicas como de gestão privada.     
De certeza que Guebuza ao terminar seu mandato (quiçá), poderá falar de alguns projectos de habitação, particularmente para jovens. E sem dúvida alguma, temos infra-estruturação nesse sentido. Porem, não sei para que jovens as habitações são destinadas, porque para moçambicanos é que não, dado aos altos valores cobrados para a sua aquisição, pois o verdadeiro jovem moçambicano, na sua maioria encontra-se mergulhado no desemprego, fruto em parte da banalização do ensino superior em Moçambique e também da introdução de cursos e currículos desenquadrados, contribuindo para a existência de muitos formados (objectivo do governo), mas todos eles sem qualidade.
«Onde tínhamos apenas uma escola primária para uma comunidade de cerca de 1000 crianças, conseguíamos no final atingir 80%, 90% de aprovações de alunos tendo domínio no mínimo da escrita e da leitura, hoje temos na mesma comunidade, naturalmente um pouco de mais 1000 crianças (devido aos nascimentos crescentes), ao invés de uma, talvez três ou quatro escolas primárias, com uma aprovação de quase 100%, mas de alunos que não sabem ler, nem escrever, ou seja, analfabetos alfabetizados».
É exactamente aqui onde reside a razão e a lógica dos relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, (PNUD).  
Um outro ponto que não podia deixar de destacar aqui, é questão estabilidade política e democracia multipartidária.   
Recordo de uma entrevista em algum órgão de informação, a um alto dirigente da FRELIMO, por sinal mulher, que teria afirmando que a intenção do seu partido era de conquistar os 250 assentos na Assembleia da Republica. Bem, democraticamente feito, de certeza que seria legítimo, mas, inquietam-me os mecanismos actualmente usados para o alcance desta intenção.
A verdade é que de facto a FRELIMO, quer acabar com a oposição, a todos níveis, (político, social e militar para o caso da RENAMO). 
E a questão é: que tipo de democracia multipartidária os tipos pretendem introduzir?
Entretanto, engana-se que pensa em acabar com oposição em Moçambique, sob o risco de tornar seu próprio povo “oposição”, alias, oposição não é apenas Afonso Dlhakama, Davis Simango, Raul Domingos e seus respectivos partidos políticos. Oposição é muito mais que isso! E é mais oposição quando encontra insatisfação nos seus anseios.
Nos últimos dias, vários segmentos da sociedade moçambicana tem apelado a continuidade e o reforço da paz alcançada com os acordos de 1992, sobretudo após os discursos belicistas da RENAMO e também depois dos últimos ataques registados em Muxungue, na província de Sofala.
Acredite ou não, a verdade é que Moçambique dispõe actualmente de condições para eclosão de qualquer tipo de conflito, ou seja, estamos perante uma bomba potencialmente explosiva.
Para além da questão RENAMO politicamente frágil, mas ainda militarizada e agora de volta as matas, existem diversos focos de descontentamento ao nível da sociedade moçambicana, os desmobilizados de guerra, os trabalhadores da antiga RDA, juventude desempregada, só para citar alguns.
O governo da FRELIMO em nenhum momento resolveu de forma eficiente e definitiva os problemas do seu povo, apenas optou pelo recurso do improviso (como por cá se diz, sempre tapou o sol com a peneira).  
Não iria me esquecer da componente Recursos Naturais, que são na sua essência uma das grandes e principais causas de conflitos, particularmente em países africanos, onde todos desejam ter comissões ou dividendos da sua exploração, alias esta é uma das questões levantadas pela RENAMO.
Entretanto, na prática uma redistribuição equitativa de recursos naturais, só é possível através da entrada das ditas comissões aos cofres do Estado e posterior canalização a população por meio do melhoramento na prestação de serviços ao cidadão, educação, saúde, transporte, infra-estruturas, etc. No entanto, este processo requer dirigentes, responsáveis, idóneos e acima de tudo comprometidos com a causa pública, requisitos que infelizmente não fazem parte do perfil dos dirigentes moçambicanos.
…que tipo de redistribuição de recursos se espera, se governo moçambicano tem dificuldades até de reassentar com sucesso pequenas comunidades como a de Cateme (Tete), só para dar um pequeno exemplo.
Será que esses indivíduos têm efectivamente capacidade para transformar investimentos em bens e serviços para o povo moçambicano do Rovuma ao Maputo e do Índico ao Zumbo, revelando dificuldades em garantir controlo de recursos florestais, que estão sendo devastados com relatos de envolvimento de altas figuras do governo? Ou nem se quer merecem serem chamados de dirigentes políticos?   
Sei que, o que o cidadão em Moçambique pensa e diz não interessa, porém não custa nada lembrar que na condição de cidadão, tenho direito ao menos de expressar tudo o que sinto, sob o risco de perder esse direito sem nunca o ter gozado, dada a tendência actual do sistema político. E gostaria também de sublinhar que não tenho nada contra a pessoa do presidente Guebuza, até porque como disse no texto “Guebuzismo II”, eu o admiro bastante como empresário, mas não como gestor público, e por isso, apesar de constitucionalmente ser impossível, pessoalmente penso que o senhor Guebuza não reúne condições para ser reeleito.
E para terminar, gostava de garantir para as próximas eleições autárquicas, legislativas e presidenciais, o meu voto ao partido e candidato abstenção. E se não for pego por uma bala perdida da FIR, até a vista… 


NATAL FELIZ COMEÇA COM AMBIENTE LIMPO

A quadra festiva chegou e, com ela, o aumento significativo do fluxo de pessoas e de bens, impulsionado por uma crescente tendência ao consu...