quinta-feira, 15 de maio de 2014

Parcerias Público Privadas (lei 15/2011)

Decorreu ontem (14), numa das salas de conferências do Hotel VIP, na cidade de Maputo, um seminário visando analisar a lei nº 15/2011, relativa as Parcerias Público Privada (PPP), em Moçambique.
Organizado pelo Observatório da Cidadania - Moçambique, CEDEJU e AMOCA em Parceria com o MASC e UNODC, o evento contou com a participação de diferentes personalidades, dentre académicos, políticos, funcionários públicos e membros da sociedade civil, sendo que faz parte do conjunto de actividades que o Observatório da Cidadania, tem levado a cabo desde o ano passado.
Sendo a lei das PPP, um instrumento importante para o exercício económico no país, o seminário revelou-se de grande relevância, pois tinha em vista, apresentar e discutir lacunas e oportunidades que este quadro legal apresenta.
De acordo com a jurista Zaida Amugi, na sua apresentação, Parceria Público Privada é um tema polissémico, dadas as diferentes interpretações e significados que o mesmo possui. Não obstante, pode ser entendido como uma colaboração de diferentes actores tendo em vista a satisfação do cidadão. Segundo a jurista, as PPP tem surgem na Inglaterra, no contexto por um lado da redução do papel do Estado na provisão de bens serviços e por outro, na concentração do seu papel de regulador da economia.  
As parcerias Público Privadas jogam um papel de grande importância no actual cenário em que o Estado é mais liberal e sobretudo em situações de insuficiência orçamental. E no caso particular de Moçambique, este instrumento surge como uma plataforma para reestruturar o papel do Estado com envolvimento do sector privado na prestação de serviços ao cidadão. E mesmo tendo surgido na década passada com a privatização de alguns serviços, só em 2011 é que ganha um estatuto legal, com aprovação da lei 15/2011.
Com objectivo de garantir a provisão de serviços de forma eficiente aos utentes e a valorização do património do Estado, a lei regula os projectos de grande dimensão e as concessões que substanciam o envolvimento do sector privado e exclui as áreas de mineração e petrolíferas das PPP, e conta com dupla tutela, nomeadamente: Entidade governamental (Ministério que tutela a área em interesse) e o Ministério das Finanças.
Conforme a lei, as PPP são realizadas por meio de um contrato, mediante um concurso público (com algumas excepções) envolvendo três modalidades: concessão, secção e gestão.  
Na segunda apresentação subordinada ao tema “Papel do sector privado na dinamização das PPP”, a interlocutora, Caina Mussagi, fez saber que as PPP em Moçambique, surgem pelo reconhecimento do Estado na capacidade do sector privado na gestão de empreendimentos que visem o bem-estar do cidadão, optando por isso a este associar-se.
No entanto, o sector privado, particularmente os investidores estrangeiros enfrentam ainda grandes constrangimentos de ordem política e legislativa. Como exemplo, Caina, falou das exigências que o Ministério do Trabalho faz no que se refere a contratação de mão-de-obra estrangeira, mesmo ciente de que internamente o país se debate com o problema de mão-de-obra qualificada. Num outro momento, a apresentadora destacou ainda a falta de condições infra-estruturais locais, para suportar os investimentos estrangeiros obrigando os empresários a investirem também na infra-estruturação local.  

Lei nº. 15/2011, de 10 de Agosto ( BR nº. 32, I Série) - Estabelece as normas orientadoras do processo de contratação, implementação e monitoria de empreendimentos de Parcerias Público -Privadas, de projectos de grande dimensão e de concessões empresariais, e revoga algumas disposições da lei de Electricidade (Lei nº 21/97, de 1 de Outubro)


terça-feira, 13 de maio de 2014

Peça sempre!

Estou neste momento a ler o maior sucesso da autoria de um dos meus favoritos escritores, Jack Canfield, intitulado, The Success of Principles. E dos tantos assuntos tratados nesta obra, partilho em forma de comentários, um dos capítulos que aborda a importância do PEDIR.
Segundo Jack Canfield, muitas pessoas receiam pedir, na medida em que temem ouvir Não, ou seja, as pessoas têm medo da rejeição, de parecerem patetas, estúpidas, etc., pelo que se rejeitam, e dizem Não para elas mesmas antes que ninguém mais tenha tido chance de o fazer ou ao menos de ouvir ou saber.
Para Canfield, pedir ajuda, acesso a uma informação, dinheiro, por exemplo, é sempre um grande passo para concretização de qualquer sonho. No entanto, exige riscos. Ou seja, para além da ousadia no acto, nunca se pode assumir que se vai ter Não como resposta.
Quando se busca a concretização de qualquer objectivo é preciso se correr riscos sendo que um dos riscos é sem dúvida alguma a disposição a rejeição.
“Arrisque pedindo tudo que queres e necessita. Se o alvo do teu pedido te disser Não, não será pior que tiveres sido tu próprio respondendo e a resposta sendo positiva obviamente que só sairás a ganhar”.
Nem mesmo Deus, só dá quem realmente pede…ele próprio através de Jesus Cristo disse: “Batei e abrir-se-á… ao que bater se lhe abrirá”.
Contudo, não basta apenas pedir, é preciso saber como pedir. De acordo com o autor, primeiro, é necessário pedir como se efectivamente esperasse ter, com expectativas positivas. “Peça como se já estivesses em posse do que se pretende”. Segundo, é preciso assumir sempre que se pode conseguir ter. “Nunca diga para si mesmo que queres, mas não podes”.
Terceiro, saiba pedir a pessoa certa, quem realmente pode dar. “Descreva o alvo com questões como: Com quem realmente devo falar para ter? Quem tem poder decisório para o que eu pretendo? Quarto, seja claro e preciso. “Se vai por exemplo pedir sair com alguém, seja objectivo dizendo a data, hora e lugar. Se vai pedir aumento salarial, diga exactamente o montante”. Quinto, peça repetidamente. Este é na verdade um dos grandes obstáculos para muitos de nós quando buscamos concretizar nossos objectivos – a persistência. Para Jack, nunca se pode desistir, pois é o mais importante quando se busca a realização de qualquer objectivo. O autor traz aqui como exemplo, a persistência que as crianças têm quando tencionam obter qualquer coisa dos pais ou parentes. Primeiro, elas nunca tem medo de pedir e segundo o fazem com persistência variadíssimas vezes a mesma pessoa.
Na verdade, muitos desistem quando estão quase a alcançar o sucesso (desistem do desafio no último minuto). No entanto, a persistência é a única forma para se alcançar qualidade alta. E realmente não é fácil, sendo que nalgumas vezes se deve persistir a obstáculos frontalmente, obstáculos invisíveis, não previstos, etc. Algumas vezes, o universo testa a sua capacidade e cometimento perante o objectivo do seu propósito.
O caminho é realmente difícil, requer portanto, que se repreenda a desistência, enquanto se aprendem novas lições, se desenvolvem novas habilidades e se tomem decisões difíceis.
“…Fall down 7 times, Get up 8 times…” (Caia 7 vezes, levanta 8 vezes – Provérbio Japonês).
Lembre-se: para todos os fracassos há sempre uma alternativa, é natural.
“Dificuldades são oportunidades para coisas melhores, eles são passos duros para óptimas experiências – quando uma porta fecha-se, uma outra sempre abre-se, é como uma lei natural, é necessário que haja balanço” – (Brian Adams)

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Bem-haja mulher Moçambicana!

Edição (publicação Clube dos Pequenos Escritores - 07/04/2011)

Celebramos hoje 7 de Abril, o dia da mulher moçambicana em homenagem a Josina Abiatar Muthemba[1].
Natural da província de Inhambane, Josina nasceu a 10 de Agosto de 1945 e morreu no dia 7 de Abril de 1971, vítima de doença. Guerrilheira e activista moçambicana, abandona seus estudos para se juntar à FRELIMO na luta pela nobre missão de libertar o povo moçambicano do jugo colonial, destacando-se como fundadora do Destacamento Feminino e pela sua contribuição na criação do Centro Infantil de Nangade, na província de Cabo Delgado, onde elementos do Destacamento Feminino, tomavam conta de crianças órfãs ou que os pais se encontravam em missões de luta.
Hoje heroína, Josina Machel é sem dúvida inspiração de muitas mulheres em Moçambique, que a tem como modelo e exemplo a seguir, que no seu quotidiano engajam-se na luta contra pobreza que ainda apoquenta milhares de moçambicanos, razão pela qual se reafirma a ideia segundo a qual “educar uma mulher é educar uma sociedade”.
“Antes da luta, mesmo na nossa sociedade, as mulheres tinham posição inferior. Hoje na FRELIMO, a mulher moçambicana tem voz e um importante papel a desempenhar, pode exprimir as suas opiniões; Tem liberdade de dizer o que quiser. Tem os mesmos direitos e deveres que qualquer outro militante, porque é moçambicana, no nosso Partido não há discriminação baseada em sexo”. (Josina Machel)
Através da afirmação acima descrita, é notável e inquestionável a sua preocupação pela igualdade de género, tendo por isso, se evidenciado como uma das primeiras a lutar pelos direitos e emancipação da mulher em todas as esferas da vida, tanto em Moçambique como a nível mundial, aliás, em reconhecimento ao seu trabalho na luta pelo bem da mulher, na década 80, uma rua no bairro de Bangu, no Rio de Janeiro  –  Brasil, foi baptizada em seu nome.
É verdade que o caminho pela igualdade do género em Moçambique é ainda muito longo sobretudo a nível do processo decisório, mas as conquistas e feitos de Josina Machel, revelam-se como passos importantes em busca do ideal, com registos hoje de índices significativos de representação feminina em diversas áreas a nível do sistema político moçambicano.


[1] Passa a chamar-se Josina Machel, ao casar-se com o então presidente de Moçambique,  Samora Machel.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Alguns teus hábitos estão “te matando”!

De acordo com Canfield et al, certos hábitos podem influenciar negativamente o alcance dos nossos objectivos e consequentemente o sucesso pretendido. Na sua obra “The power of focus”, os autores abordam um conjunto de hábitos maus, alguns dos quais aparentemente insignificantes, mas com um impacto bastante forte no rumo que nossa vida toma, a exemplo de:
Não retomar chamadas telefónicas; Fraca ou pobre comunicação com colegas (trabalho, escola, etc.); Falta de clareza nos objectos e expectativas (mensais, anuais, etc.); Deixar o alarme tocar muitas vezes antes de se levantar da cama; Trabalhar o dia inteiro sem folga ou pequenos exercícios (lembre-se de que estar busy não implica necessariamente ser produtivo); Tomar refeições em tempos irregulares; Estar apegado ao telefone, (responder chamadas durante refeições familiares); Despender pouco tempo para momentos de lazer seja em família ou entre amigos (lembre-se de garantir equilíbrio entre todas as facetas tua vida) e Chegar tarde aos encontros ou reuniões.
Em relação a este último, no caso particular de Moçambique, infelizmente o tempo é o recurso que menos se tem em conta. No entanto, é o maior recurso para o desenvolvimento em qualquer sociedade na medida em que, não é depreciavel. O atraso a um determinado encontro por exemplo, independentemente do tipo, revela desrespeito pelos outros e sobretudo falta de consideração pelo seu tempo, deixando parecer que o nosso é mais importante que o deles.
Já pensou quanto tempo tu perdes em atrasos (teus ou dos outros)? E com a televisão? Será que os programas que tu vês estão te ajudando a realizar teus objectivos?
De acordo com Live Learn Evolve, em média uma pessoa nos Estados Unidos e na Inglaterra, gasta nove anos da sua vida vendo televisão, dos quais três anos em programas irrelevantes e repetitivos.
Para o autor, a televisão pode ser um dos grandes obstáculos para o sucesso na vida, dado que, segundo ele enquanto se vê televisão, o nosso estado mental não está longe de dormir, para além da privação da interacção social e da negatividade fortemente influenciada pela grelha de programas maioritariamente negativos (notícias, filmes, novelas, por exemplo cujo conteúdo é geralmente sobre violência, criminalidade, corrupção, traição, mortes, etc.), o que pode contribuir para que a televisão envenene o sistema pessoal de crenças, devido ao constante relato sobre dor, sofrimento, desastres, problemas, que afectam sobretudo a visão sobre o mundo.
Num outro dado, o autor afirma que a televisão pode criar expectativas irreais, pois destroce a nossa maneira de compreender o mundo, pela transmissão de imagens extraordinárias, o que cria um sentimento de desenquadrando, na medida em que a vida nunca vai exactamente como a televisão mostra, levando com que as pessoas fiquem desapontadas e desiludidas ao compararem com a vida real.  
Tendo em conta o actual crescimento económico de Moçambique, que traz consigo a expansão de tecnologias de informação e particularmente da rede televisiva até aos pontos mais recônditos do país, é mister que se tenha especial atenção no tempo com a televisão. Não sugiro que abandone a televisão como aparentemente se pode entender com a citação do autor acima mencionado, aliás a televisão bem aproveitada pode alargar o nosso panorama de conhecimento e de informação, para além de nos manter sempre actualizados.
Contudo, há que se ter em conta o tempo e o tipo de programas em televisão. Pessoalmente, concordo com o autor quando fala de programas repetitivos e de conteúdo negativo. Basta olhar para a grelha de programas do panorama televisivo moçambicano para se provar. Se prestar atenção aos programas transmitidos nas principais televisões em Moçambique, além do conteúdo que é praticamente o mesmo, são transmitidos aos mesmos períodos do dia. Conheço inclusive uma televisão por sinal uma das mais vistas no país, que repete novelas mais de duas vezes, se bem que também não sou apologistas do conteúdo deste tipo de programas. Ora vejamos: Se realmente as novelas tem a intenção de educar a sociedade, porque é que das mensagens transmitidas, maior parte é sobre traição, violência, vingança, aparências, etc? Não se pode alcançar a Paz se falando de actos contrários a ela (Violência, intolerância,). Na matemática por exemplo, só por meio de cálculos certos aprendemos a fazer o correcto, (2+2=4 e não de 2+2=3).
A transmissão de mensagens negativas por mais reais que sejam (notícias por exemplo), afecta directamente a sensibilidade, tornando as pessoais vulneráveis a sentimentos de tristeza, vingança, medo, ódio, competição, etc., (os políticos que o digam).
O site Conscious Life News traz em discussão certos comportamentos que envolvendo a nossa personalidade, nos tornam frágeis nos impedindo de alguma forma a buscar nossos sonhos, são eles: o medo, a dor, o adiamento e o ego.
Segundo o site, há vários tipos de medos que envolvem a vida de cada um de nós, por exemplo, o medo da rejeição, separação ou perda, humilhação, desespero, etc. Estes e outros medos encontram-se na nossa mente (alguns desde a infância) muitas das vezes nos impedindo de tomar passos decisivos em busca dos nossos sonhos.
Já ouvi algumas pessoas afirmando que tem saudades dos tempos que eram crianças, deixando a ideia de que eram mais felizes. Na verdade o que acontece é que, a curiosidade associada a falta de noção do perigo e do risco, faz da criança livre, querendo tocar em tudo em sua volta. É esta liberdade/felicidade que com o crescimento vai se diminuindo devido ao conjunto de regras que vão surgindo em função dos espaços de actuação. Se uma menina podia ficar semi-nua com 8 anos, já não o pode fazer com 13/ anos. Se podia vestir saias curtas com 12 anos, já não o pode fazer com 16/17 anos. Com a consciência das regras em sua volta, o nível de liberdade é afectado sobre maneira, podendo se transformar em medo que por sua vez impede as pessoas de arriscar.
Já o sofrimento causado pelo stress diário ou rotina de vida busy, criam no nosso corpo, uma dor que muitas das vezes não conseguimos superar, levando com que esta se arraste por muito tempo e tome conta do rumo da nossa vida, devido ao somatório do sofrimento diário.  
No que diz respeito ao adiamento, o texto explica que é o mesmo que esperar o momento certo para viver o seu sonho. Na verdade este é um facto comum entre nós, “deixamos sempre para amanha, o que podemos fazer hoje”. Esperamos sempre por uma oportunidade no futuro, nunca temos certeza do presente, pelo que pouco aproveitamos dele. Para muitos de nós o presente nunca é o momento certo, como se tivéssemos a certeza de que o futuro será melhor, ou se estaremos vivos. O adiamento associado ao medo, leva as pessoas a não confiarem no presente, procurando sempre pela perfeição, tentando fazer tudo sempre da melhor forma, ignorando os sonhos e as realizações que se podem fazer no presente.
E por fim o ego, resultado de personalidade excessiva, o mesmo que alguém que está vivendo com identidade falsa sobre si mesma. E geralmente nunca está errado, pelo que sempre que é contradito torna-se agressivo.
Entretanto, mudar de comportamento não é tão fácil quanto pode parecer, mas vale a pena tentar, começando pelo mais simples. E todas mudanças implicam sempre certo desconforto, devido aos sacrifícios e riscos, mas porque a própria vida nunca está parada, muda a cada momento, somos chamados a fazer mudanças constantes e experiências novas.
                      

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

“10 Óbvias verdades dolorosas que todos esquecem rápido”

Na sequência do texto anteriormente publicado “Será que somos realmente responsáveis pelas nossas vidas?”, achei um artigo no site Live learn evolve que decidi partilhar em forma de comentários, com o título acima indicado, literalmente traduzido de “10 Painfully obvious truths everyone forgets too soon” que pode ser lido na sua originalidade por meio do link indicado no respectivo título.  
Tal como o título revela, o texto arrola 10 assuntos que o autor chama de verdades dolorosas na vida humana. Contudo, não irei comentar um por um, apenas resumir os pontos que achei interessantes e devido a interligação dos assuntos, os mesmos não respeitam a ordem do escritor.
Levanto como primeiro ponto de comentário, a Paciência. Segundo o texto, ser Paciente não quer dizer apenas esperar, mas sim a capacidade de manter a atitude e foco no que se pretende, enquanto ao mesmo tempo se trabalha árduo para se concretizar. Ou seja, nunca confundir o acto de “esperar” com “esperança”, dado que este último é sempre resultado de uma acção, pelo que cada um deverá fazer com que as suas acções falem mais alto que as suas próprias palavras, pois você é o que faz e não necessariamente o que pensa, e portanto, não espere fazer o que você realmente pensa. “Pensamentos e conhecimentos sem acções são inúteis”. E manter o foco no que se deseja, não é mais do que acreditar no invisível e acima de tudo ser perseverante, aliás o facto de não acontecer agora, hoje, … não implica a sua impossibilidade.
A perseverança revela-se de grande importância na vida, na medida em que alguns erros e fracassos sempre acontecem antes de um sucesso, pelo que de acordo com o autor cada um deve aprender a se perdoar, pois os erros são inevitáveis e não constitui problema comete-los, mas sim não aprender deles. “Só fracassa quem realmente tenta”.
O autor fala também do ambiente em sua volta, suas companhias, amizades, etc., que jogam um papel relevante no desempenho e actuação pessoal. Conheça melhor os seus companheiros. Alia-se aos que te fazem sentir confortável, forte e capaz. Algumas pessoas por mais próximas que sejam, podem ser um mau desafio para sua vida, portanto, afaste-se de todos que não te inspiram, te fazem sentir culpado, fraco e acima de tudo não te fazem feliz.
Não se iluda bastante com as aparências. “Estar buzzy não quer dizer ser produtivo”. No actual contexto evolutivo de Comunidade para Sociedade, em cidades de franco crescimento como Maputo, existe muita gente vivendo de aparências. Entretanto, não se deixe levar, procure criar sua própria cultura, ao que o autor chama de ser você mesmo, despenda pouco tempo com a vida alheia. Mais tempo com novelas, revistas, jornais, etc., pode contribuir para dispersar seu pensamento e consequentemente, menos concentração na sua própria vida. Entenda que apenas você, sua família, seus amigos, são reais e não a Rihanna, CR7, L. Messi, Obama, etc.
Num outro ponto, o autor aborda a “morte”. Apesar de constituir um facto de conhecimento comum, ainda é uma verdade questionável e inaceitável para muitas pessoas. Eh! Perder um ente querido é sempre doloroso, porém é natural, aliás as pessoas não podem viver para sempre e só morre quem está vivo. Portanto, preocupe-se menos com a morte, pois a qualquer momento pode acontecer e deixe todas explicações com a natureza. “O facto de o fulano ter sido empossado a cargo “X”, ter comprado seu carro/casa dos sonhos, ter se logrado campeão, … não lhe torna imune da morte no dia seguinte”.

E por isso, ganha consciência de que o mundo muda a cada segundo e a vida nunca está parada para ninguém. As pessoas e circunstâncias vêm e vão. Independentemente da sua actual situação (boa ou má) tudo vai mudar. Isso me faz lembrar uma frase de um velho amigo que diz: “Hoje você é Presidente do Município, amanha, é polícia camarária e vice-versa”. Por isso desfrute da sua vida, não procure nada melhor a cada segundo. “A felicidade nunca vai para quem não aprecia o que tem no momento”. É bom ser bom para os outros, mas é mais importante ser bom para si mesmo. “Ama-te a te mesmo, como se tua vida dependesse disso”.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Será que somos realmente responsáveis pelas nossas vidas?

Tenho acompanhado atentamente o desenrolar da vida social em Moçambique e dentre tantos resultados, conclui também que somos uma sociedade que “critica tudo menos nada”. O surgimento da massa crítica no país é a primeira vista um ganho, aliás razões para tal não faltam. Registamos nos últimos tempos um crescimento económico digno de realce, que traz consigo o alargamento infra-estrutural e de serviços a exemplo da educação que tem contribuído grandemente para acrescer e melhorar a cultura cívica e intelectual dos moçambicanos.
No entanto, descubro que a “crítica moçambicana” tende a ser mais destrutiva e naturalmente, menos o contrário, levando consigo uma carga bastante forte de lamentações e culpa à alheios, o que traz como consequência o pessimismo. E segundo os teóricos humanistas, o pessimismo manifesta-se pela associação de pensamentos negativos, que por sua vez determinam as acções e os respectivos resultados, por meio dos sentimentos. Ou seja:
(Sentimento bom/mau = Pensamento bom/mau = Acção boa/má = Resultado bom/mau).
E já agora, como é que tu te sentes? A cada minuto, hora, dia, etc., da tua vida?
É comum e natural que acções externas tenham influência directa na forma como nos sentimos. E no caso particular do nosso país, pés embora o crescimento económico que nos caracteriza, o mesmo ainda não se traduziu em qualidade de vida para a maioria da população, com registos ainda de crescentes índices de pobreza urbana (desemprego, falta de habitação, criminalidade, prostituição, etc.), corrupção só para citar alguns dos problemas, o que obviamente tem criado frustração e tensão social, deixando as pessoas numa situação de aparente “luta de todos contra todos”, onde só reinam acusações, ódio, raiva e vingança.
E porque a culpa é quase que sempre externa e nalgumas vezes dos que dirigem a sociedade, chega-se a odiar a Política. Porém, a Política não é uma pessoa ou um grupo é sim uma arte, que surge como um mecanismo para a satisfação da vida do Homem no colectivo.
Ao escrever este texto, o faço na perspectiva de chamar atenção sobre a auto-responsabilização. Ou seja, não existe nenhum “Zacarias” nas nossas vidas. (“Zacarias” é título de uma música que representa um indivíduo a quem era atribuída a culpa de tudo que de mau acontecia no bairro, desde, roubos, assaltos, violações, obscenidades, etc.). Como Jack Canfield[1] afirma, cada um é 100% responsável pela sua vida.
“Tu não és vítima, mas sim a principal causa de se sentir vítima”. A quanto tens avaliado o percurso da tua vida? As questões, acusações, e soluções que aos outros fazes, alguma vez fez para si memo? Quais são os seus principais objectivos a curto, médio e longo prazo? Quais sãos seus sonhos? E quanto as tuas acções diárias e os respectivos resultados, estarão estes em conexão com os teus objectivos finais?
O que farias se acordasses com um milhão de dólares na cabeceira da tua cama? Se achares esta pergunta louca, então estou a falar com a pessoa certa e se não, me encherá de contente saber que alguém está no caminho certo.
Quital concebermos a vida, como construção resultante de cada acção nossa no dia-a-dia, até a mais ínfima que seja! Na verdade a vida é uma bola de experimentos, e portanto com ela fazemos tudo quanto pretendermos. Quando falava no início do pessimismo, é que para além deste dirigir negativamente as nossas acções, também limita o nosso poder de abstracção, os nossos desejos, sonhos e objectivos deixando nos por isso numa aparente posição de “alegoria da caverna”[2] onde a vida se resume apenas no que se reflecte nas quatro paredes, levando nos geralmente a acreditar mais nas nossas limitações do que nas nossas potencialidades.
Entretanto, “só sabe o quão longe se vai, quem realmente for longe” (Bishop – seriado Fringe), isto é, só arriscando é que poderemos saber de tudo quanto somos capazes. Mas para tal devemos nos tornar responsáveis das nossas vidas. Se alguém aceita ser dirigido pelo que os outros pensam da sua vida é sinal de que pouco se conhece. Independentemente de tão bom ser o que outro pensa de ti, é crucial ter sua própria avaliação, o que só é possível se conheceres profundamente os teus “up’s” e “down’s”.
E por que o nosso ideal é único e próprio, é comum e normal surgirem contradições que se transformam em obstáculos no nosso caminho, o que leva muita gente a optar pelo mais fácil - desistir. E é por isso que não me canso de apelar a Perseverança pois, “Tudo aquilo que persistimos em fazer, torna-se mais fácil de realizar, não pela alteração da sua forma natural, mas pelo aprimoramento da nossa capacidade em realiza-la”. E no contexto actual em que o mundo tende cada vez mais a estar interligado devido a globalização, o poder da concorrência tem falado mais alto, levando as pessoas a fazer das suas vidas uma competição egoísta. Contudo, uma real vida de sucesso não se faz por competição, mas sim pela diferença, que por sua vez se encontra na qualidade.
A globalização é mais um dos estágios da evolução da sociedade política, onde a partilha e comunhão não são apenas locais, alargam-se para entre comunidades gigantes, cujo objectivo final é o mesmo – a satisfação do Homem. Imagine um mundo de partilha de diferenças, onde cada um reconhece que é igual a si mesmo e usa perfeitamente a sua originalidade! O egoísmo para além de ser um mau sentimento, deixa as pessoas acanhadas até nos momentos em que precisam de ajuda, e tudo que se ganha na base deste tipo de competição, por mais longe que vá sempre se auto destrói.



[1] The Success Principles
[2]Conceito platónico

NATAL FELIZ COMEÇA COM AMBIENTE LIMPO

A quadra festiva chegou e, com ela, o aumento significativo do fluxo de pessoas e de bens, impulsionado por uma crescente tendência ao consu...